Conexão Consciente · vídeo
SOBRE(A)CARGA · Palestra · Janeiro Branco
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Sobre este vídeo
Na palestra do Janeiro Branco, a Mari conta a história da Júlia, uma personagem que representa uma profissional competente e sobrecarregada, para falar do cansaço que não passa nem depois de descansar. Ela comenta como o organismo alterna momentos de ativação e de recuperação, conduz uma breve pausa guiada com respiração e percepção do corpo e sugere pequenas pausas ao longo do dia, como caminhar, soltar o corpo, beber água e fazer um lanche. Também lembra que a mudança depende da relação entre a pessoa e a empresa, e que a atualização da NR-1 trouxe a saúde mental para a gestão de riscos no trabalho.
O que este vídeo é e não é: educação em saúde, numa conversa de psicóloga. Não substitui avaliação nem atendimento psicológico.
Para organizar o que fez sentido
- PASSO · Perceber
- PASSO · Ajustar
- NEURO · R · Ritmar a rotina
- NEURO · E · Equilibrar as emoções
- NEURO · N · Nutrir o corpo
PASSO e NEURO são a forma didática como os temas se organizam aqui no site, apoiada na Gestalt-terapia e na Comunicação Não Violenta; não são técnicas com eficácia própria. As lentes são referências de leitura. Sobre o PASSO e o NEURO.
Transcrição
Transcrição a partir da legenda automática do YouTube, revisada para leitura. Trechos em que a legenda não ficou clara foram omitidos e aparecem como (…). O vídeo é a referência.
00:01Tudo certo? Então, vamos lá. Boa tarde. Muito obrigada por estar aqui hoje. Sabe que eu escolhi o fim da tarde da última sexta-feira do mês de janeiro. Aliás, janeiro é inclusive um mês conhecido pela campanha de Janeiro Branco, né? A campanha de Janeiro Branco é de conscientização sobre a importância da saúde mental. Então, nesse último dia útil de janeiro, eu queria justamente trazer um respiro para uma rotina que pode estar (…).
00:26Falando em rotina, como é que tem sido a sua rotina nos últimos tempos? Não só aquilo que você faz, mas como você tem vivido aquilo que você faz. Porque para muita gente o cansaço, ele já virou um ponto de partida. Ele já não vem só depois de um dia (…). Aquela coisa de você acorda cansado, trabalha cansado, descansa e continua cansado. Aos poucos isso vai parecendo normal. E hoje eu quero conversar um pouquinho sobre isso, sobre a carga que a gente carrega todos os dias, e o que que acontece com o nosso cérebro quando essa carga não diminui. Pra gente falar disso, eu quero te apresentar a Júlia.
02:12A Júlia, ela é uma profissional competente, inteligente. Ela trabalha com demandas que exigem bastante dela. Mas deixa eu te contar como que é o dia dela na prática. O despertador toca e a Júlia já acorda se sentindo cansada. (…) Alguém se identifica? Assim que ela levanta, a primeira coisa que ela faz é pegar o celular, e aí ela entra nas redes sociais. Passa um tempo ali, sabe aquele tempo? Rola, rola, rola, até que ela percebe que tá atrasada para começar o dia. Então ela toma um café correndo e já sai pro trabalho com aquela sensação de estar atrasada em relação ao que ela deveria estar fazendo. Ela sente que o dia já começa devendo.
03:24No trabalho, é uma reunião atrás da outra. São mensagens chegando o tempo todo, demandas que não parecem ter fim. Ela passa horas sentada, quase não percebe o próprio corpo, come qualquer coisa quando dá. E, ao longo do tempo, a Júlia vai ficando mais ansiosa, mais irritada, mais cansada. Ela dorme, mas ela não descansa. Ela trabalha, mas sente que nunca é o (…).
04:18Não bastasse tanta cobrança, ela também foi construindo algumas crenças sem perceber: de que ela precisa dar conta de tudo, de que pedir ajuda é um sinal de fraqueza, e que, para ser uma boa profissional, ela tem que fazer mil coisas ao mesmo (…). E aí surge uma pergunta com frequência, né, que machuca a Júlia: que é que tem de errado comigo?
04:51(…) É um corpo que tá tentando funcionar sob um estímulo constante, sem tempo suficiente para se recuperar.
05:19O nosso organismo, ele funciona melhor em ciclos: momentos de ativação seguido por momentos de recuperação, de pausas. O problema é que hoje muita gente vive quase só na parte da ativação. São notificações constantes, informações demais, demandas simultâneas, quase nenhum espaço pro silêncio mental ao longo do dia. Pode ser por causa do trabalho, pode ser por causa do excesso de informação, pode ser pela própria cobrança interna, mas, pro sistema nervoso, tudo isso exige resposta, ajuste, atenção.
06:07E quando não existe uma alternância entre esforço e pausa real, o corpo começa a funcionar como se ele estivesse sempre de prontidão, sempre em estado de (…). Com o tempo, isso não vai virar produtividade, vai virar desgaste. Um desgaste contínuo vira exaustão. Exaustão eventualmente adoece, né? Um organismo que não consegue se autorregular, ele eventualmente adoece. E quando a gente adoece, não consegue dar conta da vida, das pequenas às grandes coisas. Não à toa os números de afastamentos, questões de saúde mental, afastamentos no trabalho por questões de saúde mental, estão batendo recordes. Não é preguiça, não é falta de (…), é falta de pausa, de recuperação.
07:24Então, já que estamos aqui falando de (…), eu quero te convidar agora a experimentar, por alguns minutos, um momento de pausa real. Sente-se aí de forma confortável, de preferência descruzando pernas e encostando seus pés no chão. Se você se sentir confortável, feche um pouco os seus olhos e, num primeiro momento, sem fazer nenhuma intervenção, só observa como é que você tá. Como é que tá a sua cabeça, como é que tá o seu pescoço, o seu tronco, como estão as suas costas, seu quadril, como é que tão as suas pernas? Elas que te levam para todos os lugares. Como é que tá essa estrutura que sustenta o peso de ser você? Faça algum movimento se ela te pede. Às vezes pode ser mexer o pescoço, pode ser esticar as costas.
09:39E enquanto você começa a fazer esses pequenos ajustes que o seu corpo pode tá te pedindo, faça uma respiração mais profunda. Então inspira pelo nariz, segura um pouquinho, solta devagarzinho pela boca. Dá um tempinho. Vamos repetir essa respiração. Inspirando em 1 (…), segurando em 1 (…) em 1 (…). Mais uma vez. Inspira em 1 (…) 4. Solta devagar pela boca.
11:19Agora observa como é que tá esse corpo depois que você parou para respirar profundamente. Como é que você se sente nesse momento? (…) Agora eu quero te convidar a fazer uma última respiração profunda e, no seu ritmo, abrir os olhos pra gente poder (…). Vamos lá.
12:25Percebe como poucos minutos já mudam seu estado interno? Isso é o seu sistema nervoso saindo do modo alerta e entrando no modo de regulação. E a boa notícia é: ele pode reaprender esse caminho. E essa mudança, ela não começa com grandes revoluções na rotina. Essa mudança começa com pequenos momentos distribuídos ao longo do dia, como a reduzir interrupções, a respeitar os limites de foco e a fazer pausas curtas em que o corpo realmente (…).
13:17Aqui tá alguns exemplos. Caminhar de um cômodo ao outro já ajuda a mudar o foco de atenção. Respirar, como nós fizemos aqui, já ajuda a oxigenar melhor o cérebro e também relaxar o sistema nervoso. Soltar o corpo, descruzar as pernas, principalmente o pescoço, as costas, que são regiões do corpo que tendem a se curvar mais, tanto pela posição que a gente fica quando tá usando o celular ou computador, quanto pela tensão que vai se acumulando aí no estresse do dia a dia. Não se esqueça também de se hidratar, de fazer pausas assim para se alimentar ao longo do dia. O cérebro, ele precisa de energia para (…), e os lanches são um momento bastante importante de pausa. Então toma seu café, seu chá, sua água, come uma fruta, come pãozinho, alguma coisa, enfim, faça essas pausas.
15:00Percebe que aqui nós estamos falando de coisas simples, mas que ajudam o sistema nervoso a sair do estado de alerta constante. (…) A irritabilidade tende a diminuir por conta da regulação. O foco tende a ficar mais estável e as decisões ficam mais conscientes.
15:26Mas, como em toda a relação, essa mudança, ela não depende só, né, da pessoa, também depende do ambiente que ela está inserida. (…) A gente tá falando sobre trabalho, também depende da empresa. Essa mudança, ela acontece na relação entre as duas coisas. Então, quando o colaborador aprende a reconhecer os limites e a se autorregular, ele ganha mais estabilidade. Quando a empresa organiza o trabalho com mais clareza, com comunicação e respeito aos ritmos humanos, o ambiente também se torna menos desgastante pro trabalho acontecer.
16:43E o resultado não é só bem-estar, é também mais sustentabilidade no desempenho, menos afastamentos, menos presenteísmo, menos (…), porque indicadores como turnover, né, absenteísmo, presenteísmo, eles começam a cair. Isso já é comprovado. Da mesma forma que empresas que também investem em saúde mental já observam inclusive um retorno (…). E não por acaso, né, a atualização da NR-1 coloca a saúde mental no centro das discussões sobre a segurança e a saúde no trabalho. Porque hoje já tá claro: cuidar da saúde mental é cuidar também das pessoas. E isso também significa cuidar da qualidade do trabalho.
17:35E a Júlia, né? Bom, se nada mudar, a Júlia continua acordando cansada, atravessando o dia em estado de alerta, terminando a semana (…), até eventualmente ela adoecer, seja desenvolver um transtorno de ansiedade, uma depressão, ou sofreu um burnout, ou mesmo outros adoecimentos aí físicos que estão relacionados a um estresse crônico, né? Mas quando pequenas mudanças entram na rotina, quando ela aprende a regular o próprio ritmo e quando o ambiente deixa de reforçar a sobrecarga como padrão, ela continua competente, responsável, (…). A diferença é que ela já não precisa mais se destruir para conseguir dar conta da rotina do (…). Isso não vai melhorar só o bem-estar dela, mas vai melhorar a qualidade das decisões, das relações e do próprio (…).
18:52Talvez o futuro do trabalho, ele não dependa de pessoas mais fortes, mas de rotinas mais humanas, de ambientes mais conscientes e de pequenas escolhas e mudanças que, quando repetidas todos os dias, transformam a forma como a gente vive e (…).
19:20Queria agradecer mais uma vez pela sua presença aqui, pela escuta, pela (…). Queria dizer que cuidar da saúde mental não é um evento isolado, é um processo contínuo, é um processo construído no dia a dia, mas que tem, pode ter, tem um impacto muito grande, não só na vida de cada um, mas na nossa sociedade como um todo. Se essa conversa fez sentido para você e você deseja ampliar essa reflexão, aqui estão os meus contatos. Eu vou ficar muito feliz em seguir com você nesse diálogo. Até mais.
ECO30 · checkpoint
Se o que te trouxe até aqui foi a dificuldade de parar para comer no meio do trabalho, este mesmo tema é lido por Ana Ceregatti, nutricionista · CRN3 4816, a partir do Guia Alimentar para a População Brasileira (Ministério da Saúde, 2014): Os obstáculos para comer bem e como superá-los.
Se o que te trouxe até aqui foi a sobrecarga no trabalho, este mesmo tema é lido por Mariana Calegari, psicóloga · CRP 06/176180, a partir do capítulo 1.5 da NR-1: NR-1, capítulo 1.5 (riscos psicossociais), comentada.
Se o que te trouxe até aqui foi a dúvida se esse cansaço pode ser burnout, este mesmo tema é lido por Mariana Calegari, psicóloga · CRP 06/176180, a partir da Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho do Ministério da Saúde: Burnout na Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho, comentada.
Quando procurar ajuda
Se o que aparece no vídeo também aparece na sua vida com frequência, ou já atrapalha o sono, o trabalho, a alimentação ou as relações, vale procurar ajuda. A Unidade Básica de Saúde mais perto de casa é a porta de entrada no SUS, e o apoio psicológico pode fazer parte do cuidado.
- Unidade Básica de Saúde (UBS), posto ou Saúde da Família: a porta de entrada para começar o cuidado.
- CAPS, o Centro de Atenção Psicossocial do seu município, para sofrimento psíquico intenso ou persistente.
- UPA 24h, pronto-socorro e hospitais, em urgência.
- SAMU 192, em emergência.
- CVV 188, apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas.
Recorte da lista “Onde buscar ajuda” da página oficial do Ministério da Saúde Suicídio (Prevenção), consultada em 05/10/2026.
Resumo, classificação e transcrição preparados com apoio de inteligência artificial a partir da legenda do vídeo; revisão da Mariana Calegari pendente.