Mari Calegari Psi

Estudo comentado · S-03 · capítulo Alecrim

Aroma de alecrim, memória e humor: o experimento com 144 adultos (International Journal of Neuroscience, 2003) comentado por Mariana Calegari

Texto de 15/10/2026 · revisado em: aguardando a revisão da Mariana

O que este texto é e não é: educação em saúde a partir de um estudo científico publicado, escrita por uma psicóloga. Não substitui a leitura do estudo original, nem avaliação ou atendimento psicológico ou médico.

Ficha do estudo

Autores
Mark Moss, Jenny Cook, Keith Wesnes e Paul Duckett
Título
Aromas of rosemary and lavender essential oils differentially affect cognition and mood in healthy adults
Revista
International Journal of Neuroscience, v. 113, n. 1, p. 15–38
Data
Janeiro de 2003
Tipo
Experimento randomizado em laboratório, com três grupos (aroma de alecrim, aroma de lavanda e sem aroma)
Quem participou
144 adultos saudáveis
Acesso
Resumo no PubMed; este comentário se baseia só no resumo publicado
Link oficial
doi.org/10.1080/00207450390161903 · PubMed 12690999
Consultado em
15/10/2026

Resposta direta

Num único experimento de laboratório com 144 adultos saudáveis, quem fez testes numa sala com aroma de óleo essencial de alecrim teve melhor qualidade geral de memória do que quem fez os testes sem aroma, mas foi mais lento para lembrar, e terminou mais alerta (Moss e colegas, International Journal of Neuroscience, 2003). O aroma de lavanda piorou a memória de trabalho. É um achado pequeno e pontual, não um tratamento.

Se você chegou aqui porque…

Se você chegou aqui porque ouviu dizer que cheiro de alecrim “ajuda a memória” e quer saber de onde vem essa ideia, este texto mostra o que um dos estudos mais citados encontrou de fato e até onde dá para ir com ele. Se a sua preocupação é esquecer coisas com frequência, isso pede avaliação de saúde, não um aroma.

O que o estudo diz

  • “[…] rosemary produced a significant enhancement of performance for overall quality of memory and secondary memory factors, but also produced an impairment of speed of memory compared to controls.”

    Moss e colegas, 2003, resumo. Em tradução livre: o alecrim melhorou de forma significativa a qualidade geral da memória e a memória secundária, mas piorou a velocidade da memória, em comparação com o grupo sem aroma.
  • “[…] lavender produced a significant decrement in performance of working memory, and impaired reaction times for both memory and attention based tasks compared to controls.”

    Moss e colegas, 2003, resumo. Em tradução livre: a lavanda piorou a memória de trabalho e deixou mais lentas as respostas em tarefas de memória e de atenção.
  • “The participants were deceived as to the genuine aim of the study until the completion of testing to prevent expectancy effects […]”

    Moss e colegas, 2003, resumo. Em tradução livre: os participantes não sabiam o objetivo real do estudo até o fim dos testes, para evitar o efeito da expectativa.

O que o estudo fez, em linguagem simples

A equipe sorteou 144 adultos saudáveis em três grupos. Cada pessoa fez uma bateria de testes no computador, sozinha numa cabine: para um grupo, a cabine tinha aroma de óleo essencial de alecrim; para outro, de lavanda; para o terceiro, nenhum aroma. Os testes mediam diferentes partes da memória e da atenção. O humor foi avaliado antes e depois. Um detalhe importante: os participantes não sabiam que o estudo era sobre aromas, justamente para que a expectativa (“cheiro de alecrim ajuda a lembrar”) não mexesse no resultado.

No grupo do alecrim, a qualidade geral da memória e a memória de longo prazo dos testes foram melhores do que no grupo sem aroma, mas a velocidade para lembrar foi pior. No grupo da lavanda, a memória de trabalho, que segura informações por alguns segundos, piorou, e as respostas ficaram mais lentas. No humor, depois dos testes, os grupos sem aroma e com lavanda estavam menos alertas que o do alecrim, e o grupo sem aroma estava menos satisfeito que os outros dois.

Como eu leio isso, como psicóloga

O que me interessa aqui não é transformar o alecrim em remédio para a memória. É lembrar que os sentidos participam de como a gente pensa e sente. Na Gestalt-terapia, perceber o que está acontecendo agora, inclusive no corpo e nos sentidos, é ponto de partida. O cheiro do alecrim na cozinha, no jardim ou na feira pode ser um convite simples para voltar ao momento presente: uma das pequenas coisas do dia.

O Código de Ética do Psicólogo pede que a psicóloga use “princípios, conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica” (Resolução CFP nº 010/2005, art. 1º, alínea c). Por isso, deixo claro: aroma de alecrim não é um tratamento psicológico e não faz parte do atendimento que eu ofereço.

A continuação desta conversa, sobre o que acontece no corpo quando a gente sente o aroma, está em Aroma de alecrim e 1,8-cineol. E o alecrim na cozinha, a partir do Guia Alimentar, está em Alecrim na cozinha.

Leitura crítica

Quatro cuidados. É um estudo só, de um laboratório, com uma única exposição ao aroma: não diz nada sobre usar alecrim todos os dias. Os participantes eram adultos saudáveis, então o resultado não vale para quem tem dificuldade de memória, demência ou transtornos de humor. O efeito foi misto, com qualidade melhor e velocidade pior. E eu li apenas o resumo publicado no PubMed: o tamanho de cada grupo e dos efeitos fica para quem consultar o artigo completo.

Um micro-acordo

Da próxima vez que você encontrar alecrim, na feira, na cozinha ou num vaso, pare alguns segundos para sentir o cheiro. Note o que vem: uma lembrança, uma sensação no corpo, nada em especial. Só perceber, sem esperar efeito.

Quando procurar ajuda

Esquecimentos frequentes, que atrapalham o dia ou que aparecem junto com tristeza, ansiedade ou cansaço persistentes, pedem avaliação de saúde: comece pela UBS. Se o que pesa é o emocional, a psicoterapia pode ajudar a olhar para isso.

A Gestalt-terapia, citada acima, é uma referência de leitura que orienta o meu olhar, não um método com eficácia garantida para o seu caso.

Onde buscar no SUS

  • Unidade Básica de Saúde (UBS), posto ou Saúde da Família: a porta de entrada para começar o cuidado.
  • CAPS, o Centro de Atenção Psicossocial do seu município, para sofrimento psíquico intenso ou persistente.
  • UPA 24h, pronto-socorro e hospitais, em urgência.
  • SAMU 192, em emergência.
  • CVV 188, apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas.

Recorte da lista “Onde buscar ajuda” da página oficial do Ministério da Saúde Suicídio (Prevenção), consultada em 06/10/2026.

Perguntas frequentes

Cheiro de alecrim melhora a memória?

Num experimento de 2003 com 144 adultos saudáveis, o grupo que fez testes numa sala com aroma de alecrim teve melhor qualidade geral de memória do que o grupo sem aroma, mas foi mais lento para lembrar. É um estudo de laboratório, de uma única sessão, e não mostra efeito em quem tem dificuldade de memória.

Lavanda ajuda a concentrar?

Neste mesmo estudo, o aroma de lavanda piorou a memória de trabalho e deixou as respostas mais lentas nas tarefas de memória e atenção. Por outro lado, o grupo da lavanda terminou mais satisfeito do que o grupo sem aroma.

Aromaterapia é tratamento psicológico?

Não. O Código de Ética do Psicólogo pede o uso de técnicas reconhecidamente fundamentadas na ciência psicológica. Um aroma pode fazer parte do cotidiano e do autocuidado, mas não substitui psicoterapia nem avaliação de saúde.

Referência e transparência

Estudo original: MOSS, M.; COOK, J.; WESNES, K.; DUCKETT, P. Aromas of rosemary and lavender essential oils differentially affect cognition and mood in healthy adults. International Journal of Neuroscience, v. 113, n. 1, p. 15-38, 2003. DOI: 10.1080/00207450390161903. PubMed: 12690999. Acesso em: 15/10/2026.

Ética profissional: CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP nº 010/2005: Código de Ética Profissional do Psicólogo, art. 1º, alínea c. Disponível em: site.cfp.org.br. Acesso em: 15/10/2026.

Leituras de apoio (lentes, não métodos):

  • PERLS, F.; HEFFERLINE, R.; GOODMAN, P. Gestalt-terapia. Trad. Fernando Rosa Ribeiro. São Paulo: Summus, 1997 (original de 1951).

Como citar esta página: CALEGARI, Mariana. Aroma de alecrim, memória e humor: o experimento com 144 adultos (International Journal of Neuroscience, 2003) comentado por Mariana Calegari. Mari Calegari Psi, 15/10/2026. Disponível em: https://maricalegaripsi.com.br/biblioteca/aroma-de-alecrim-memoria-e-humor-estudo/.

Sem patrocínio e sem conflitos: este texto não tem patrocínio nem vínculo com os autores, órgãos ou revistas citados, nem com fabricantes de óleos essenciais ou produtos de alecrim.

Uso de IA: texto preparado com apoio de inteligência artificial a partir do estudo publicado, para revisão humana da Mariana Calegari (revisão pendente).

Mariana Calegari, Psicóloga · CRP 06/176180