Mari Calegari Psi

Documento comentado · M-19

Guia sobre usos de dispositivos digitais (Crianças, adolescentes e telas, 2025) comentado por Mariana Calegari

Texto de 06/10/2026 · revisado em: aguardando a revisão da Mariana

O que este texto é e não é: educação em saúde a partir de um documento público, escrita por uma psicóloga, com o pilar N assinado por uma nutricionista. Não substitui a leitura do documento oficial, nem avaliação ou atendimento psicológico ou nutricional.

Ficha do documento

Órgão
Presidência da República, Secretaria de Comunicação Social (Secom), com Ministérios da Saúde, da Educação, dos Direitos Humanos e da Cidadania, da Justiça e do Desenvolvimento e Assistência Social
Título
Crianças, adolescentes e telas: guia sobre usos de dispositivos digitais
Edição
Brasília, 2025 (versão disponível no período de defeso eleitoral de 2026)
Formato
PDF · 3,3 MB · 164 p.
Licença
Não declarada na ficha lida: citar com atribuição
Links oficiais
Guia completo (PDF · 3,3 MB) · Página do guia na Secom
Consultado em
06/10/2026

Resposta direta

O guia oficial do Governo Federal recomenda conversar abertamente sobre tecnologia, combinar limites de tempo, evitar celulares nas refeições em família, desconectar antes de dormir e, sobretudo, que os adultos sejam referência de uso equilibrado. Para bebês até 2 anos, recomenda zero tela, salvo videochamadas com a família e com um adulto junto.

Se você chegou aqui porque…

Se você chegou aqui porque briga todo dia por causa do celular dos filhos, ou porque percebeu que é você quem não consegue largar a tela, este texto lê o guia pelos dois lados. Não é sobre culpa; o próprio guia diz que muitas plataformas são desenhadas para prender a atenção.

O que o documento diz

  • “Ser uma boa referência: praticar ou demonstrar uso responsável de dispositivos digitais, equilibrando vida online e offline.”

    Guia, p. 53
  • “Evitar distrações nas refeições: Não acessar (se possível não levar consigo) dispositivos digitais conectados (celulares, tablets, relógios digitais, etc.) durante as refeições em família.”

    Guia, p. 53
  • “Prezar pela rotina de sono: desconectar-se pelo menos um tempo antes do horário de dormir e não levar dispositivos conectados para o lugar de dormir.”

    Guia, p. 53
  • “Evitar a presença ou uso de dispositivos digitais em momentos de refeições, inclusive pelos adultos, e pelo menos 1h antes de dormir.”

    Guia, p. 78 (recomendações para crianças de 6 a 11 anos)
  • “incentivados por modos de funcionamento arquitetados por muitas das plataformas digitais, com design manipulativo”

    Guia, p. 22, sobre padrões de uso prolongado ou excessivo

De quem é a tela na mesa?

Muitas famílias chegam à conversa sobre telas falando dos filhos. O guia do Governo Federal faz um movimento interessante: a primeira medida de cuidado da lista é comunicar, e logo depois vem “ser uma boa referência”. Antes de olhar para o celular da criança, ele convida o adulto a olhar para o próprio.

O que o guia diz, em linguagem simples

O guia reconhece que as telas trazem oportunidades de lazer, aprendizado e convivência, e também riscos: atrasos no desenvolvimento na primeira infância, problemas de sono, sedentarismo, sintomas depressivos, ansiedade e problemas de autoimagem, entre outros. Recomenda zero tela para bebês até 2 anos (exceto videochamada com a família e com um adulto presente) e, para crianças de 6 a 11 anos, priorizar o brincar e o movimento, combinar o tempo de tela e evitar dispositivos nas refeições e antes de dormir. Para todas as idades, sugere tempo de qualidade em família com notificações desligadas, limites de tempo claros, também para adultos, e atividades ao ar livre. E explica que o uso excessivo é estimulado por plataformas com “design manipulativo”: não é só questão de força de vontade.

Como eu leio isso, como psicóloga

No vídeo sobre o aqui-agora (2022), eu disse que “estar no aqui-agora permite que a gente possa realmente prestar atenção àquilo que está acontecendo com a gente”. A tela, muitas vezes, é o jeito mais rápido de sair do aqui-agora, de fugir do tédio, do cansaço, de uma emoção difícil. Na Gestalt-terapia, a pergunta não é “quanto tempo”, e sim “para que estou pegando o celular agora?”.

A Comunicação Não Violenta ajuda a combinar limites sem guerra: descrever o que acontece (“no jantar, cada um estava no seu celular”), dizer como isso afeta (“senti falta de conversar com vocês”) e fazer um pedido possível (“podemos deixar os celulares na sala durante o jantar?”). E a inteligência emocional entra no exemplo: crianças aprendem a regular emoções observando como os adultos regulam as suas, inclusive com o celular.

No mapa didático que uso aqui no site, este texto fica no passo Ajustar do PASSO e na dimensão O · Oxigenar a mente do NEURO. A parte de alimentação, pilar N, está logo abaixo, com a nutricionista. São formas de organizar a conversa, ancoradas na Gestalt-terapia e na Comunicação Não Violenta, e não técnicas com eficácia própria.

Leitura crítica: o guia e a vida real

Modo contexto: o guia é voltado a crianças e adolescentes, mas as medidas de família incluem os adultos. E ele mesmo reconhece que a responsabilidade não é só das famílias: traz, no capítulo 6, recomendações para outros atores, incluindo escolas e plataformas digitais. Mães e pais que trabalham o dia inteiro, sem rede de apoio, nem sempre têm alternativa à tela; o caminho é ajustar o possível, sem culpa.

Um micro-acordo

Escolha uma refeição por dia, só uma, em que os celulares fiquem fora da mesa, inclusive o seu. Observe o que aparece no lugar: conversa, silêncio, inquietação. Tudo isso é informação.

Quando procurar ajuda

Se o uso de telas está ligado a isolamento, irritação intensa quando falta o aparelho, prejuízo no sono, na escola ou no trabalho, ou se serve para fugir de um sofrimento que não passa, vale buscar ajuda. O guia orienta buscar ajuda profissional quando há indícios de uso problemático. Na rede pública, a UBS é a porta de entrada; para crianças e adolescentes em sofrimento intenso, há o CAPS infantojuvenil.

As lentes acima (Gestalt-terapia, Comunicação Não Violenta, inteligência emocional e os estudos de Brené Brown sobre vulnerabilidade e vergonha) são referências de leitura que orientam o meu olhar, não métodos com eficácia garantida para o seu caso.

N · Nutrir o corpo · pela nutrição, Ana Ceregatti, CRN3 4816

Pilar N do NEURO. Os pilares E, U, R e O, no texto acima, são da psicóloga Mariana Calegari; cada uma fala só dentro da própria profissão.

O guia do Governo Federal sobre telas pede para evitar dispositivos “durante as refeições em família” (p. 53). O Guia Alimentar para a População Brasileira (Ministério da Saúde, 2014) já dizia o mesmo pelo lado da comida: “Telefones celulares sobre a mesa e aparelhos de televisão ligados devem ser evitados” (cap. 4, p. 93).

Na prática

  • Comer “sem se envolver em outra atividade” favorece a digestão e ajuda a perceber a saciedade (cap. 4, p. 92).
  • Com crianças, o exemplo pesa: “As orientações dadas às crianças devem ser praticadas pelos adultos” (cap. 5, p. 120).
  • Menos tempo de tela também quer dizer menos exposição à publicidade de alimentos ultraprocessados, que o Guia trata como obstáculo (cap. 5, p. 120).

O posicionamento da Escola

Celular fora da mesa é das recomendações mais simples e mais difíceis do Guia, porque mexe no hábito da casa inteira. Na Escola, defendo comida de verdade, integral, vegetal e natural, sem estresse; uma refeição por dia sem tela já é um bom começo. Diretriz é referência populacional; o seu caso é conversa de consulta.

O cuidado conjunto de psicologia e nutrição tem nome, Clínica Nutrindo Cuidados, hoje em pausa. Para continuar a leitura: Comer com atenção, no lugar certo e em companhia, da série Guia Alimentar 2014 comentado.

Fonte: Guia Alimentar para a População Brasileira, 2ª ed. (PDF · 4,4 MB), cap. 4, p. 92 e 93; cap. 5, p. 120. Texto preparado com apoio de IA; responsabilidade técnica da nutricionista (revisão dela pendente).

Ana Ceregatti, Nutricionista · CRN3 4816

Na sua região

26,3% dos adultos passam três horas ou mais do tempo livre por dia no computador, tablet ou celular · conjunto das 26 capitais e do Distrito Federal · 2024.

Fonte: Ministério da Saúde, Vigitel Brasil 2006-2024 (inquérito telefônico com adultos das 26 capitais e do Distrito Federal), seção 3.3, p. 86, consultada em 06/10/2026. Método: percentual ponderado de adultos (18 anos ou mais) com uso prolongado de computador, tablet ou celular no tempo livre; inquérito telefônico, só capitais; o guia trata de crianças e adolescentes, o dado é de adultos. Dado agregado, de população: não diz nada sobre uma pessoa.

Mais dados públicos de saúde: observatório de dados públicos de saúde na sua região (Ana Ceregatti).

ECO30 · checkpoint

Se o que te trouxe até aqui foi o celular na hora de comer, este mesmo tema é lido por Ana Ceregatti, nutricionista · CRN3 4816, a partir do Guia Alimentar para a População Brasileira (Ministério da Saúde, 2014): Guia Alimentar para a População Brasileira (2014) comentado.

Onde buscar no SUS

  • Unidade Básica de Saúde (UBS), posto ou Saúde da Família: a porta de entrada para começar o cuidado.
  • CAPS, o Centro de Atenção Psicossocial do seu município, para sofrimento psíquico intenso ou persistente.
  • UPA 24h, pronto-socorro e hospitais, em urgência.
  • SAMU 192, em emergência.
  • CVV 188, apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas.

Recorte da lista “Onde buscar ajuda” da página oficial do Ministério da Saúde Suicídio (Prevenção), consultada em 06/10/2026.

Perguntas frequentes

O guia recomenda tela para bebês?

Não. Zero tela até 2 anos, salvo videochamada com a família e com um adulto junto.

O que o guia sugere para a hora das refeições?

Não usar, e se possível não levar, dispositivos conectados às refeições em família, inclusive os adultos.

Quando desligar as telas antes de dormir?

O guia pede desconectar antes de dormir e não levar dispositivos para a cama; para crianças de 6 a 11 anos, pelo menos 1 hora antes.

Referência e transparência

Documento oficial: BRASIL. Presidência da República. Secretaria de Comunicação Social. Crianças, adolescentes e telas: guia sobre usos de dispositivos digitais. Brasília: Secom/PR, 2025. 164 p. Disponível em: Crianças, adolescentes e telas: guia sobre usos de dispositivos digitais (Secom/PR, 2025). Acesso em: 06/10/2026.

Leituras de apoio (lentes, não métodos):

  • PERLS, F.; HEFFERLINE, R.; GOODMAN, P. Gestalt-terapia. Trad. Fernando Rosa Ribeiro. São Paulo: Summus, 1997 (original de 1951).
  • ROSENBERG, M. B. Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. São Paulo: Ágora, 2006.
  • GOLEMAN, D. Inteligência emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente. Trad. Marcos Santarrita. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.

Fonte de nutrição (pilar N): BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. 156 p. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf. Acesso em: 06/10/2026.

Como citar esta página: CALEGARI, Mariana; CEREGATTI, Ana. Guia sobre usos de dispositivos digitais (Crianças, adolescentes e telas, 2025) comentado por Mariana Calegari. Mari Calegari Psi, 06/10/2026. Disponível em: https://maricalegaripsi.com.br/biblioteca/telas-guia-dispositivos-digitais/.

Sem patrocínio e sem conflitos: este texto não tem patrocínio nem vínculo com os órgãos ou autores citados.

Uso de IA: texto preparado com apoio de inteligência artificial a partir dos documentos oficiais, para revisão humana da Mariana Calegari (revisão pendente).

Mariana Calegari, Psicóloga · CRP 06/176180