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Documento comentado · M-17

Relatório da Comissão da OMS sobre Conexão Social comentado por Mariana Calegari

Texto de 06/10/2026 · revisado em: aguardando a revisão da Mariana

O que este texto é e não é: educação em saúde a partir de um documento público, escrita por uma psicóloga. Não substitui a leitura do documento oficial, nem avaliação ou atendimento psicológico.

Ficha do documento

Órgão
Organização Mundial da Saúde (OMS/WHO), Comissão sobre Conexão Social
Título
From loneliness to social connection: charting a path to healthier societies (relatório) e perguntas e respostas Social connection
Data
30/06/2025 · ISBN 978-92-4-011236-0 · 213 p.
Formato
Página da publicação (PDF não lido) e página HTML de perguntas e respostas, em inglês
Licença
Não lida nesta rodada: citar com atribuição
Links oficiais
Relatório na OMS · Perguntas e respostas
Consultado em
06/10/2026

Resposta direta

Para a OMS, solidão é o sentimento doloroso de que os vínculos que temos estão aquém dos que queremos ou precisamos; isolamento social é ter, de fato, poucas relações e contatos. Cerca de 1 em cada 6 pessoas no mundo relata se sentir sozinha, e a OMS pede que a conexão social seja tratada como questão de saúde.

Se você chegou aqui porque…

Se você chegou aqui porque se sente sozinha mesmo cercada de gente, ou porque mudou de cidade, se aposentou, se separou ou perdeu alguém, este texto ajuda a dar nome a essa experiência. Solidão não é defeito de quem sente.

O que o documento diz

  • “Loneliness, another form of social disconnection, is a subjective, distressing feeling that arises when there is a gap between the social connections one has and those one wants or needs.”

    OMS, Social connection (perguntas e respostas), 30/06/2025 (tradução livre: solidão é um sentimento subjetivo e doloroso que surge quando há distância entre as conexões que temos e as que queremos ou precisamos)
  • “Social isolation, a form of social disconnection, is the objective state of having too few roles, relationships, and interactions with others.”

    Idem (tradução livre: isolamento social é o estado objetivo de ter poucos papéis, relações e interações)
  • “Approximately 1 in 6 people globally (15.8%) report feeling lonely.”

    Idem (tradução livre: cerca de 1 em cada 6 pessoas no mundo, 15,8%, relata se sentir sozinha)
  • “Community-based strategies, which improve “social infrastructure” such as parks, libraries, public transport, while also supporting local groups and services that bring people together.”

    Idem, soluções promissoras (tradução livre: estratégias comunitárias que melhoram a infraestrutura social, como parques, bibliotecas e transporte público, e apoiam grupos que aproximam pessoas)

Dá para se sentir só no meio de todo mundo?

Dá, e a OMS explica por quê. Solidão não é a mesma coisa que estar sozinha: é a distância entre os vínculos que temos e os que queremos ou precisamos. Alguém pode morar com a família e se sentir só; alguém pode morar sozinho e se sentir bem acompanhado.

O que a OMS diz, em linguagem simples

A Comissão da OMS sobre Conexão Social descreve três dimensões dos vínculos: a estrutura (quantas relações e com que frequência), a função (que apoio trocamos) e a qualidade (se as relações são boas ou tensas). Entre os fatores que alimentam a solidão estão problemas de saúde física e mental, exclusão, baixa renda, morar sozinho, grandes mudanças de vida, como mudança de cidade, perda de emprego, separação, aposentadoria e luto, falta de espaços comunitários e uso excessivo de mídia digital, sobretudo entre jovens. Os jovens, aliás, são os que mais relatam solidão. As respostas propostas vão de campanhas e políticas públicas a parques, bibliotecas e transporte, até terapias que ajudam as pessoas a construir e manter vínculos.

Como eu leio isso, como psicóloga

No vídeo do Dia Mundial da Saúde Mental (2022), entre os cuidados que listei estava passar “tempo de qualidade com pessoas queridas que são importantes para você”. A OMS diz, com outras palavras, a mesma coisa: qualidade importa tanto quanto quantidade.

Na Gestalt-terapia, o encontro acontece na fronteira de contato, o lugar onde eu e o outro nos tocamos e nos diferenciamos. Solidão, muitas vezes, é contato que não acontece, por medo, cansaço ou falta de ocasião. Brené Brown descreve a conexão como algo de que precisamos para viver bem e mostra que ela exige deixar-se ver, o que dá medo. E a Comunicação Não Violenta ajuda a transformar a queixa (“ninguém me procura”) num pedido possível (“quer tomar um café no sábado?”).

No mapa didático que uso aqui no site, este texto fica no passo Significar do PASSO e na dimensão U · Unir-se a pessoas e propósitos do NEURO. São formas de organizar a conversa, ancoradas na Gestalt-terapia e na Comunicação Não Violenta, e não técnicas com eficácia própria.

Leitura crítica: morar só não é estar só

Modo complemento e contexto: os números da OMS são estimativas mundiais. No Brasil, o IBGE mostra quantas pessoas moram sozinhas (veja o slot abaixo), mas morar só não é o mesmo que sentir solidão, e a OMS faz exatamente essa distinção. Também vale cuidado com a ideia de que solidão é sempre culpa das telas: a OMS cita o uso excessivo de mídia digital como um dos fatores, ao lado de renda, saúde e falta de espaços públicos.

Um micro-acordo

Nesta semana, retome um contato com alguém de quem você sente falta, com uma mensagem curta e sem cobrança. Ou procure, perto de casa, um espaço coletivo gratuito: biblioteca, praça, grupo da UBS ou do bairro.

Quando procurar ajuda

Se a solidão vem junto com tristeza que não passa, perda de interesse pelas coisas ou a sensação de que não faria diferença se você sumisse, procure apoio: a UBS é a porta de entrada, e a psicoterapia pode ajudar a entender o que dificulta os vínculos. Para conversar agora, o CVV atende pelo 188, 24 horas.

As lentes acima (Gestalt-terapia, Comunicação Não Violenta, inteligência emocional e os estudos de Brené Brown sobre vulnerabilidade e vergonha) são referências de leitura que orientam o meu olhar, não métodos com eficácia garantida para o seu caso.

Na sua região

20,9% dos domicílios têm um só morador (19,7% no Brasil) · Região Sudeste · 2025.

Fonte: IBGE, PNAD Contínua: Características gerais dos domicílios e dos moradores 2025 (Agência de Notícias IBGE, 17/04/2026), consultada em 06/10/2026. Método: proporção de unidades domésticas unipessoais entre os domicílios; morar sozinho não é o mesmo que se sentir sozinho. Dado agregado, de população: não diz nada sobre uma pessoa.

Mais dados públicos de saúde: observatório de dados públicos de saúde na sua região (Ana Ceregatti).

Onde buscar no SUS

  • Unidade Básica de Saúde (UBS), posto ou Saúde da Família: a porta de entrada para começar o cuidado.
  • CAPS, o Centro de Atenção Psicossocial do seu município, para sofrimento psíquico intenso ou persistente.
  • UPA 24h, pronto-socorro e hospitais, em urgência.
  • SAMU 192, em emergência.
  • CVV 188, apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas.

Recorte da lista “Onde buscar ajuda” da página oficial do Ministério da Saúde Suicídio (Prevenção), consultada em 06/10/2026.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre solidão e isolamento social?

Para a OMS, isolamento social é o estado objetivo de ter poucas relações e interações; solidão é o sentimento doloroso de que os vínculos que temos estão aquém dos que queremos ou precisamos.

Quantas pessoas se sentem sozinhas no mundo?

Segundo a Comissão da OMS sobre Conexão Social (2025), cerca de 1 em cada 6 pessoas no mundo (15,8%) relata se sentir sozinha; os jovens relatam as taxas mais altas.

Solidão faz mal à saúde?

A OMS afirma que o isolamento social e a solidão prejudicam a saúde física e mental, por exemplo com mais depressão e ansiedade, e afetam também escola, trabalho e comunidade.

Referência e transparência

Documento oficial: WORLD HEALTH ORGANIZATION. From loneliness to social connection: charting a path to healthier societies. Report of the WHO Commission on Social Connection. Geneva: WHO, 2025. ISBN 978-92-4-011236-0. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Social connection (questions and answers), 30 June 2025. Disponível em: From loneliness to social connection: charting a path to healthier societies (OMS, 2025). Acesso em: 06/10/2026.

Leituras de apoio (lentes, não métodos):

  • PERLS, F.; HEFFERLINE, R.; GOODMAN, P. Gestalt-terapia. Trad. Fernando Rosa Ribeiro. São Paulo: Summus, 1997 (original de 1951).
  • BROWN, B. A coragem de ser imperfeito: como aceitar a própria vulnerabilidade, vencer a vergonha e ousar ser quem você é. Trad. Joel Macedo. Rio de Janeiro: Sextante, 2016 (título original: Daring Greatly).
  • ROSENBERG, M. B. Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. São Paulo: Ágora, 2006.

Como citar esta página: CALEGARI, Mariana. Relatório da Comissão da OMS sobre Conexão Social comentado por Mariana Calegari. Mari Calegari Psi, 06/10/2026. Disponível em: https://maricalegaripsi.com.br/biblioteca/solidao-e-conexao-social-oms/.

Sem patrocínio e sem conflitos: este texto não tem patrocínio nem vínculo com os órgãos ou autores citados.

Uso de IA: texto preparado com apoio de inteligência artificial a partir dos documentos oficiais, para revisão humana da Mariana Calegari (revisão pendente).

Mariana Calegari, Psicóloga · CRP 06/176180