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Documento comentado · M-08

Diretrizes da OMS sobre saúde mental no trabalho comentadas por Mariana Calegari

Rascunho de 05/10/2026 · revisado em: aguardando a revisão da Mariana

O que este texto é e não é: educação em saúde a partir de um documento público, escrita por uma psicóloga. Não substitui a leitura do documento oficial, nem avaliação ou atendimento psicológico.

Ficha do documento

Órgão
Organização Mundial da Saúde (OMS/WHO)
Título
Guidelines on mental health at work (diretrizes) e ficha informativa Mental health at work
Data
Diretrizes: 28/09/2022, ISBN 9789240053052 · Ficha: 15/09/2026
Formato
Diretrizes: PDF de 5,2 MB (link na página da OMS) · Ficha: página HTML
Licença
Não lida nesta rodada: citar com atribuição, sem reproduzir figuras
Links oficiais
Diretrizes na OMS · Ficha “Mental health at work”
Consultado em
05/10/2026

Resposta direta

A OMS recomenda prevenir o adoecimento mental no trabalho principalmente com intervenções organizacionais que mexem nas condições de trabalho, e complementa com formação de lideranças, formação de trabalhadores, intervenções individuais, apoio ao retorno ao trabalho e à inclusão no emprego. Para a OMS, trabalho decente protege a saúde mental; ambientes ruins a colocam em risco.

Se você chegou aqui porque…

Se você chegou aqui porque quer saber o que a referência internacional diz sobre saúde mental no trabalho, e como isso conversa com a NR-1, este texto faz essa ponte em português.

O que o documento diz

  • “Decent work is good for mental health.”

    Ficha da OMS, Key facts (tradução livre: trabalho decente faz bem à saúde mental)
  • “Globally, an estimated 12 billion working days are lost every year to depression and anxiety at a cost of US$ 1 trillion per year in lost productivity.”

    Ficha da OMS, Key facts (tradução livre: cerca de 12 bilhões de dias de trabalho perdidos por ano por depressão e ansiedade)
  • “WHO recommends employers do this by implementing organizational interventions that directly target working conditions and environments.”

    Ficha da OMS, seção Prevent work-related mental health conditions (tradução livre: intervenções organizacionais que atuam direto nas condições e ambientes de trabalho)
  • “The recommendations cover organizational interventions, manager training and worker training, individual interventions, return to work, and gaining employment.”

    Página das diretrizes (tradução livre: as recomendações cobrem intervenções organizacionais, formação de gestores e de trabalhadores, intervenções individuais, retorno ao trabalho e acesso ao emprego)

O trabalho adoece ou protege?

As duas coisas, diz a OMS. A ficha começa afirmando que trabalho decente faz bem à saúde mental: dá sustento, sentido, relações e rotina. E logo depois lista o que coloca a saúde mental em risco: excesso de carga ou de ritmo, falta de controle sobre o próprio trabalho, jornadas longas ou inflexíveis, apoio limitado, supervisão autoritária, violência e assédio, discriminação, insegurança no emprego, conflito entre demandas de casa e do trabalho.

O que as diretrizes recomendam, em linguagem simples

  • Prevenir: intervenções organizacionais que avaliam e reduzem os riscos, como arranjos de trabalho flexíveis e estruturas para lidar com violência e assédio.
  • Proteger e promover: formação de gestores para reconhecer e responder ao sofrimento da equipe, com comunicação aberta e escuta ativa; formação de trabalhadores para reduzir o estigma; intervenções individuais para lidar com o estresse.
  • Apoiar quem já vive com uma condição de saúde mental: adaptações razoáveis, programas de retorno ao trabalho e apoio ao emprego.

O guia do MTE sobre fatores de risco psicossociais (2025) cita essas diretrizes da OMS e da OIT logo na introdução, inclusive a estimativa dos 12 bilhões de dias de trabalho perdidos. Ou seja, a NR-1 brasileira conversa com essa referência internacional.

Como eu leio isso, como psicóloga

O que mais me alegra nas recomendações é a ordem: primeiro mudar as condições, depois treinar pessoas. Isso combina com a Gestalt, que olha a pessoa no seu campo, e com a minha experiência clínica: não adianta ensinar respiração para quem não tem pausa.

A formação de lideranças que a OMS descreve (comunicação aberta, escuta ativa, entender como os estressores do trabalho afetam a saúde mental) é muito próxima do que a Comunicação Não Violenta propõe (Rosenberg, 2006): ouvir sentimentos e necessidades antes de dar soluções. E a inteligência emocional, no sentido de consciência social, aparece aqui como habilidade de liderança, não como traço de personalidade.

Brené Brown escreve sobre a coragem de se mostrar vulnerável, e eu acrescento: lideranças que admitem os próprios limites tornam mais seguro para a equipe fazer o mesmo. Na dimensão “Unir-se a pessoas e propósitos” do mapa didático que uso aqui no site, é disso que se trata: pertencimento como fator de cuidado.

Leitura crítica

Modo complemento: as diretrizes da OMS são recomendações globais, sem força de lei no Brasil. Quem estabelece obrigações para as empresas aqui é a NR-1, com o capítulo 1.5 em vigor desde 26/05/2026. A OMS traz o que a NR-1 não detalha: o apoio a quem já vive com uma condição de saúde mental, as adaptações razoáveis e o retorno ao trabalho. E um lembrete de contexto: mais da metade da força de trabalho global está na economia informal, segundo a ficha, onde nenhuma norma de segurança alcança.

Um micro-acordo

Se você lidera, experimente abrir a próxima reunião com uma pergunta real, como “o que está pesando mais nesta semana?”, e apenas escutar as respostas, sem resolver nada ali.

Quando procurar ajuda

Recomendação internacional não substitui cuidado individual. Se você está sofrendo, procure a rede de saúde e considere apoio psicológico.

As lentes acima (Gestalt-terapia, Comunicação Não Violenta, inteligência emocional e os estudos de Brené Brown sobre vulnerabilidade e vergonha) são referências de leitura que orientam o meu olhar, não métodos com eficácia garantida para o seu caso.

Na sua região

559.983 benefícios por incapacidade concedidos pelo INSS por transtornos mentais e comportamentais (CID-10, capítulo V) · Brasil · 2025.

Fonte: Ministério da Previdência Social, Informe de Previdência Social v. 37 nº 07, Tabela 3 (fonte SINTESE), consultada em 05/10/2026. Método: concessões das espécies 31, 32, 91 e 92; o dado global da OMS (12 bilhões de dias perdidos) não tem recorte por país na ficha. Dado agregado, de população: não diz nada sobre uma pessoa.

Mais dados públicos de saúde: observatório de dados públicos de saúde na sua região (Ana Ceregatti).

Onde buscar no SUS

  • Unidade Básica de Saúde (UBS), posto ou Saúde da Família: a porta de entrada para começar o cuidado.
  • CAPS, o Centro de Atenção Psicossocial do seu município, para sofrimento psíquico intenso ou persistente.
  • UPA 24h, pronto-socorro e hospitais, em urgência.
  • SAMU 192, em emergência.
  • CVV 188, apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas.

Recorte da lista “Onde buscar ajuda” da página oficial do Ministério da Saúde Suicídio (Prevenção), consultada em 05/10/2026.

Perguntas frequentes

O que a OMS recomenda às empresas?

Principalmente intervenções organizacionais que atuem direto nas condições e nos ambientes de trabalho, além de formação de gestores e de trabalhadores.

As diretrizes da OMS são obrigatórias no Brasil?

Não. São recomendações internacionais; a obrigação legal das empresas brasileiras está na NR-1 e nas demais normas.

Quantos dias de trabalho se perdem por depressão e ansiedade?

A OMS estima cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano no mundo, com custo de US$ 1 trilhão em produtividade.

Referência e transparência

Documento oficial: WORLD HEALTH ORGANIZATION. Guidelines on mental health at work. Geneva: WHO, 2022. ISBN 9789240053052. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Mental health at work (fact sheet), 15 Sept. 2026. Disponível em: WHO guidelines on mental health at work (2022). Acesso em: 05/10/2026.

Leituras de apoio (lentes, não métodos):

  • PERLS, F.; HEFFERLINE, R.; GOODMAN, P. Gestalt-terapia. Trad. Fernando Rosa Ribeiro. São Paulo: Summus, 1997 (original de 1951).
  • ROSENBERG, M. B. Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. São Paulo: Ágora, 2006.
  • GOLEMAN, D. Inteligência emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente. Trad. Marcos Santarrita. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.
  • BROWN, B. A coragem de ser imperfeito: como aceitar a própria vulnerabilidade, vencer a vergonha e ousar ser quem você é. Trad. Joel Macedo. Rio de Janeiro: Sextante, 2016 (título original: Daring Greatly).

Como citar esta página: CALEGARI, Mariana. Diretrizes da OMS sobre saúde mental no trabalho comentadas por Mariana Calegari. Mari Calegari Psi, 05/10/2026. Disponível em: https://maricalegaripsi.com.br/biblioteca/oms-diretrizes-saude-mental-no-trabalho/.

Sem patrocínio e sem conflitos: este texto não tem patrocínio nem vínculo com os órgãos ou autores citados.

Uso de IA: texto preparado com apoio de inteligência artificial a partir dos documentos oficiais, para revisão humana da Mariana Calegari (revisão pendente).

Mariana Calegari, Psicóloga · CRP 06/176180