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Documento comentado · M-11

Ficha da OMS sobre transtornos de ansiedade comentada por Mariana Calegari

Texto de 06/10/2026 · revisado em: aguardando a revisão da Mariana

O que este texto é e não é: educação em saúde a partir de um documento público, escrita por uma psicóloga. Não substitui a leitura do documento oficial, nem avaliação ou atendimento psicológico.

Ficha do documento

Órgão
Organização Mundial da Saúde (OMS/WHO)
Título
Anxiety disorders (ficha informativa)
Data
15/09/2026
Formato
Página HTML, em inglês
Licença
Não lida nesta rodada: citar com atribuição, sem reproduzir figuras
Link oficial
Ficha “Anxiety disorders” na OMS
Consultado em
06/10/2026

Resposta direta

Sentir ansiedade de vez em quando é humano; a OMS fala em transtorno quando o medo e a preocupação são intensos, excessivos, difíceis de controlar e atrapalham a vida por um tempo longo. A ficha afirma que existem tratamentos eficazes, que só cerca de 1 em cada 4 pessoas que precisam recebe algum, e que o primeiro passo é procurar cuidado.

Se você chegou aqui porque…

Se você chegou aqui porque o coração dispara, a cabeça não desliga ou você vive “no futuro”, este texto ajuda a separar a ansiedade do dia a dia daquilo que pede cuidado. Ele não faz diagnóstico: isso só acontece numa avaliação com profissional.

O que o documento diz

  • “Anxiety disorders are the world’s most common mental disorders, affecting 470 million people in 2023.”

    Ficha da OMS, Key facts (tradução livre: os transtornos de ansiedade são os transtornos mentais mais comuns no mundo e afetavam 470 milhões de pessoas em 2023)
  • “Everyone can feel anxious sometimes, but people with anxiety disorders often experience fear and worry that is both intense and excessive.”

    Ficha da OMS, Overview (tradução livre: todo mundo pode se sentir ansioso às vezes, mas no transtorno o medo e a preocupação costumam ser intensos e excessivos)
  • “Although highly effective treatments for anxiety disorders exist, only about 1 in 4 people in need (27.6%) receive any treatment”

    Ficha da OMS, Overview (tradução livre: embora existam tratamentos muito eficazes, só cerca de 1 em 4 pessoas que precisam recebe algum tratamento)
  • “Self-care can play an important role in supporting treatment.”

    Ficha da OMS, seção Self-care (tradução livre: o autocuidado pode ter papel importante no apoio ao tratamento)

Ansiedade é sempre um problema?

Não. A ansiedade é uma emoção, e emoções têm função. No vídeo “Não queira não sentir suas emoções!” (2022), eu disse uma frase que continua valendo: na Gestalt, “a gente acredita que as emoções, elas têm um para quê”. A ansiedade costuma avisar que algo importa, que há um risco, uma prova, uma mudança. O problema começa quando o aviso não desliga.

O que a ficha da OMS diz, sem termos técnicos

A OMS descreve o transtorno de ansiedade como medo e preocupação intensos, difíceis de controlar, que causam sofrimento e duram muito tempo, em geral meses, a ponto de atrapalhar a família, o trabalho, a escola e a vida social. Entre os sinais possíveis estão dificuldade de concentração, irritação, tensão, coração acelerado, suor, tremor, dificuldade para dormir e sensação de perigo iminente. A ficha lembra que há diferentes formas de transtorno, que mulheres são mais afetadas que homens e que os sintomas costumam começar na infância ou na adolescência.

Também aponta por que tanta gente fica sem cuidado: falta de informação de que é uma condição tratável, pouco investimento em serviços, poucos profissionais e estigma. Sobre tratamento, a OMS chama as intervenções psicológicas de “essenciais”, com a conversa terapêutica no centro. A ficha também fala de medicamentos; isso é assunto de consulta médica, e eu não comento aqui.

Como eu leio isso, como psicóloga

Na Gestalt-terapia, Perls, Hefferline e Goodman descrevem a ansiedade como uma excitação bloqueada, sentida muitas vezes como dificuldade de respirar. Na clínica, isso aparece como corpo pronto para agir sem ter para onde ir. Por isso o primeiro movimento costuma ser perceber: onde a ansiedade aparece no corpo, em que horários, diante de quê.

A inteligência emocional, no campo aberto por Goleman, ajuda a nomear o que se sente com mais precisão (“estou com medo de errar na apresentação” em vez de “estou péssima”). E a Comunicação Não Violenta, de Rosenberg, convida a perguntar qual necessidade está por trás: segurança, previsibilidade, descanso, reconhecimento. Nomear não resolve tudo, mas costuma diminuir a sensação de caos.

Brené Brown escreve sobre a vergonha que nos faz esconder o que sentimos. Com a ansiedade, é comum a pessoa achar que é “frescura” ou fraqueza, e adiar o cuidado. A ficha da OMS diz o contrário: é condição de saúde, comum e tratável.

No mapa didático que uso aqui no site, este texto fica no passo Perceber do PASSO e na dimensão E · Equilibrar as emoções do NEURO. São formas de organizar a conversa, ancoradas na Gestalt-terapia e na Comunicação Não Violenta, e não técnicas com eficácia própria.

Leitura crítica: o número e a pessoa

Modo contexto: 470 milhões de pessoas é uma estimativa mundial, de população. Ela mostra que você não está sozinha, mas não diz se você tem ou não um transtorno. Só uma avaliação feita com calma, por profissional, separa a ansiedade que faz parte da vida daquela que pede tratamento. E a lista de sinais da ficha não é um teste para fazer em casa.

Um micro-acordo

Nesta semana, quando notar a preocupação crescendo, experimente nomeá-la em voz baixa (“estou preocupada com…”) e fazer três respirações lentas, que a própria ficha cita entre as técnicas de relaxamento. Depois observe, sem julgar, se algo mudou no corpo. Se nada mudar, tudo bem: isso também é informação.

Quando procurar ajuda

Se a preocupação ocupa a maior parte dos dias há semanas ou meses, se você passou a evitar lugares e pessoas, se o corpo vive em alerta ou se o sono e o trabalho estão sendo afetados, procure cuidado. A UBS é a porta de entrada no SUS; psicoterapia pode ajudar, e não é preciso esperar a situação ficar insuportável para começar. Se aparecerem pensamentos de se machucar, ligue 188 (CVV) ou procure atendimento de urgência.

As lentes acima (Gestalt-terapia, Comunicação Não Violenta, inteligência emocional e os estudos de Brené Brown sobre vulnerabilidade e vergonha) são referências de leitura que orientam o meu olhar, não métodos com eficácia garantida para o seu caso.

Na sua região

167.484 benefícios por incapacidade concedidos pelo INSS por “outros transtornos ansiosos” (CID-10 F41) · Brasil · 2025.

Fonte: Ministério da Previdência Social, Informe de Previdência Social v. 37 nº 07, Tabela 5 (fonte SINTESE), consultada em 06/10/2026. Método: concessões de benefícios por incapacidade com a categoria F41 da CID-10; mede afastamentos concedidos, não quantas pessoas têm ansiedade. Dado agregado, de população: não diz nada sobre uma pessoa.

Mais dados públicos de saúde: observatório de dados públicos de saúde na sua região (Ana Ceregatti).

Onde buscar no SUS

  • Unidade Básica de Saúde (UBS), posto ou Saúde da Família: a porta de entrada para começar o cuidado.
  • CAPS, o Centro de Atenção Psicossocial do seu município, para sofrimento psíquico intenso ou persistente.
  • UPA 24h, pronto-socorro e hospitais, em urgência.
  • SAMU 192, em emergência.
  • CVV 188, apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas.

Recorte da lista “Onde buscar ajuda” da página oficial do Ministério da Saúde Suicídio (Prevenção), consultada em 06/10/2026.

Perguntas frequentes

Ansiedade e transtorno de ansiedade são a mesma coisa?

Não. Segundo a OMS, todo mundo pode se sentir ansioso às vezes; no transtorno, o medo e a preocupação são intensos, excessivos, difíceis de controlar e duram muito tempo, atrapalhando a vida.

Ansiedade tem tratamento?

Sim. A ficha da OMS afirma que existem tratamentos muito eficazes e que as intervenções psicológicas são essenciais. O caminho começa por uma avaliação com profissional, na UBS ou em atendimento particular.

Onde procurar ajuda para ansiedade pelo SUS?

Na Unidade Básica de Saúde (UBS), que é a porta de entrada. Em sofrimento intenso ou persistente, o CAPS do município; em crise, UPA 24h, pronto-socorro ou SAMU 192. O CVV atende pelo 188, 24 horas.

Referência e transparência

Documento oficial: WORLD HEALTH ORGANIZATION. Anxiety disorders (fact sheet). Geneva: WHO, 15 Sept. 2026. Disponível em: Anxiety disorders (OMS, ficha informativa, 15/09/2026). Acesso em: 06/10/2026.

Leituras de apoio (lentes, não métodos):

  • PERLS, F.; HEFFERLINE, R.; GOODMAN, P. Gestalt-terapia. Trad. Fernando Rosa Ribeiro. São Paulo: Summus, 1997 (original de 1951).
  • GOLEMAN, D. Inteligência emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente. Trad. Marcos Santarrita. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.
  • ROSENBERG, M. B. Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. São Paulo: Ágora, 2006.
  • BROWN, B. A coragem de ser imperfeito: como aceitar a própria vulnerabilidade, vencer a vergonha e ousar ser quem você é. Trad. Joel Macedo. Rio de Janeiro: Sextante, 2016 (título original: Daring Greatly).

Como citar esta página: CALEGARI, Mariana. Ficha da OMS sobre transtornos de ansiedade comentada por Mariana Calegari. Mari Calegari Psi, 06/10/2026. Disponível em: https://maricalegaripsi.com.br/biblioteca/ansiedade-ficha-oms/.

Sem patrocínio e sem conflitos: este texto não tem patrocínio nem vínculo com os órgãos ou autores citados.

Uso de IA: texto preparado com apoio de inteligência artificial a partir dos documentos oficiais, para revisão humana da Mariana Calegari (revisão pendente).

Mariana Calegari, Psicóloga · CRP 06/176180